segunda-feira, 29 de outubro de 2007

We'll Always Have Paris







"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa

*****

domingo, 28 de outubro de 2007

Outros mundos

As palavras são como as pessoas: nada democráticas. Existem momentos de profunda clareza, mas é uma clareza ilusória. Na verdade, quase todas as sentenças cruciais da vida, parecem estar definidas por uma palavra chamada inacessibilidade. O erro, as dissonâncias, as contradições, as metades, estão todas conferidas à uma única pessoa. O mundo é certo. Todos estão sempre certos. Só eu estou errada nisso tudo.

A grandeza é plural e a vaidade também.

O estar, nesse caso, é um estar envolvido às situações anteriores - a falta que a falta faz -, e isso vai minando as expectativas, as possibilidades de alguma coisa vir a ser.

Vez ou outra, outros mundos se apresentam, e as pessoas assumem outras importâncias...

Quem nunca teve a impressão, que mesmo certo das suas ações, em um momento totalmente delicado, tentou se explicar, mas se atrapalhou mais e mais? Quem te viu e quem te vê. É assim, baby. É assim.
*

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Home


U2 - Walk On

***
Amor a gente busca nas pequenas coisas, no detalhe de um olhar, num gesto, na solidariedade, na compaixão... Muitas vezes não está apenas na sexualidade. Vai além. Respeito tem a ver com amor. Muito a ver. É a capacidade do ser humano de se colocar no lugar do outro e entender toda a falta de tato, todo o descompasso e a falta de sintonia. É preciso ter um tempo sozinho para perdoar de verdade. Certas coisas não são fáceis de lidar. É o que acontece com tudo que envolve a palavra emoção.

Um ditado italiano diz que “sua casa é onde está o seu coração”. Amor é isso. É onde está. Tudo que você procura, tem que estar lá. Como uma caixa de surpresas, tem que estar lá. Você não sabe onde vai, nem o que tem, mas o que você necessita - mesmo que por enquanto - vai encontrar. É onde você se reconhece.

“Home, hard to know what it is if you never had one. Home I can't say where it is but I know I'm going home. That's where the hurt is”.

***

domingo, 21 de outubro de 2007

Never Dreamed You'd leave in Summer


Stevie Wonder

Uma canção triste, para um momento triste.

***

Nuvem Negra


Djavan - Gal Costa - Chico Buarque

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tempo, tempo, tempo...



***
Ouve bem o que te digo:
Tempo, tempo, tempo, tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Quando o tempo for propício,
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios,
Tempo, tempo, tempo, tempo.

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo,
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo.

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo,
Tempo, tempo, tempo, tempo,
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo.

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Num outro nível de vínculo.

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios,
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Nas rimas do meu estilo.

(Oração ao tempo, Caetano Veloso)

***

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Amigos & Solidão

Clarice Lispector entrevista Nelson Rodrigues.

É surpreendente como Nelson consegue captar - em palavras - o que a gente só percebe na intuição e cala. Segue um trecho da conversa:

- Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
- Só ponto de vista amoroso eu encontrei a Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal.

- Ah, Nelson, isto é tão verdadeiro.
- Mas, diante do resto do mundo eu sou um homem maravilhosamente só. Uma vez fiquei gravemente doente, doente de morrer. Recebi em três meses de agonia, três visitas, uma por mês. Note-se que a minha doença foi promovida em primeiras páginas. Aí, eu sofri na carne e na alma esta verdade intolerável: o amigo não existe.

- Nelson, como consequência do meu incêndio, passei quase três meses no hospital. E recebia visitas até de estranhos. Eu não sou simpática. Mas o que é que eu dei aos outros para que viessem fazer companhia? Não acredito que não se tenha amigos. É que são raros. Ou eu dou muito pouco ou os outros não aceitam o que eu tenho para dar.
- Mas você tem sucesso real - e sucesso real vem quando se dá alguma coisa aos outros. Você dá. Certa vez fui a uma capelinha ver um colega morto. Eram duas da manhã. Uma mocinha saiu do velório ao lado com um caderninho na mão. Fez uma mesura para mim e disse: "quero ter a honra de apertar a mão do autor de A vida como ela é". E me pediu um autógrafo. Eu senti que estava vivendo um momento da pobre ternura humana. Eis o que eu queria dizer: o amigo possível e certo é o desconhecido com que cruzamos por um instante e nunca mais. A esse podemos amar e por esses podemos ser amados.. O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência.

***

Vinicius de Moraes, poema.

Rita Hayworth

As mulheres ocas

Headpiece filled with siraw T.S. Eliot, "The Hollow Men"

Nós somos as inorgânicas
Frias estátuas de talco
Com hálito de champagne
E pernas de salto alto
Nossa pele fluorescente
É doce e refrigerada
E em nossa conversa ausente
Tudo não quer dizer nada.

Nós somos as longilíneas
Lentas madonas de boate
Iluminamos as pistas
Com nossos rostos de opala.
Vamos em câmara lenta
Sem sorrir demasiado
E olhamos como sem ver
Com nossos olhos cromados.

Nós somos as sonolentas
Monjas do tédio inconsútil
Em nosso escuro convento
A ordem manda ser fútil
Fomos alunas bilíngües
De "Sacre-Coeur" e "Sion"
Mas adorar, só adoramos
A imagem do deus Mamon.

Nós somos as grã-funestas
Filhas do Ouro com a Miséria
O gênio nos enfastia
E a estupidez nos diverte.
Amamos a vida fria
E tudo o que nos espelha
Na asséptica companhia
Dos nossos machos-de-abelha.

Nós somos as bailarinas
Pressagas do cataclismo
Dançando a dança da moda
Na corda bamba do abismo.
Mas nada nos incomoda
De vez que há sempre quem paga
O luxo de entrar na roda
Em Arpels ou Balenciaga.

Nós somos as grã-funestas
As onézimas letais*
Dormimos a nossa sesta
Em ataúdes de cristal
E só tiramos do rosto
Nossa máscara de cal
Para o drinque do sol posto
Com o cronista social.


* Uma das categorias da Nova Gnomônia, de Jayme Ovalle, que classifica os seres e as coisas em: datas, parás, mozarlescos, kernianos e os onézimos, sendo estes conhecidos "pés-frios". Para maiores esclarecimentos, ver o capítulo [a crônica] "A Nova Gnomônia" em Crônicas da província do Brasil, de Manuel Bandeira.

***

domingo, 14 de outubro de 2007

"Everybody needs somebody"


***
"Amor não é amor,
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor."

Shakespeare

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"E sonho esse sonho que se estende em rua, em rua em rua em vão."
Lucia Villares in Papos de Anjo

Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros.

A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo "bá", por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?

Nada, você não entende nada.

Dama da noite. Todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro. Não suporto: luz, também nunca tenho nada pra fazer - o quê? Umas rendas aí. É, macetes. Não dou detalhe, adianta insistir. Mutreta, trambique, muamba. Já falei: não adianta insistir, boy . Aprendi que, se eu der detalhe, você vai sacar que tenho grana e se eu tenho grana você vai querer foder comigo só porque eu tenho grana.

E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor.

Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara.

Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo. Se eu tô tesuda e você anda duro e eu precisar de cacete, compro o teu, pago o teu. Quanto custa? Me diz que eu pago. Pago bebida, comida, dormida. E pago foda também, se for preciso.

Pego, claro que eu pego. Pego sim, pego depois. É grande? Gosto de grande, bem grosso. Agora não.

A roda?
Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu.

Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito? Falso, eu tenho uns amigos, sim. Fodidos que nem eu. Prefiro não andar com eles, me fazem mal. Gente da minha idade, mesmo tipo de... Ia dizer problema, puro hábito: não tem problema. Você sabe, um saco. Que nem espelho: eu olho pra cara fodida deles e tá lá escrita escarrada a minha própria cara fodida também, igualzinha à cara deles. Alguns rodam na roda, mas rodam fodidamente. Não rodam que nem você. Você é tão inocente, tão idiotinha com essa camisinha Mr. Wonderful. Inocente porque nem sabe que é inocente. Nem eles, meus amigos fodidos, sabem que não são mais.

Tem umas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, babau, já não é mais.

Mocidade é isso aí, sabia?

*
(Caio Fernando Abreu in Dama da Noite, fragmentos)

***
A Drinking Song
by W.B. Yeats

Wine comes in at the mouth
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.

***

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Alphaville


Jean-Luc Godard

My funny Valentine


From the movie "The Talented Mr. Ripley" performed by Matt Damon and The Guy Barker International Quintet.
*****

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

"Criar é não se adequar à vida como ela é, nem tampouco se grudar às lembranças pretéritas que não sobrenadam mais."
(Waly Salomão, 1998, p.45)


Na abertura do livro Lábia proclama-se que a "memória é uma ilha-de-edição". Isso quer dizer que a memória não se reduz a um registro passivo de traços ou dados do passado. Ao contrário, o que temos por "dado" é já desde sempre o resultado da atividade interpretativo-construtiva - de seleção, corte, cópia, colagem, etc. - efetuado por um processo de edição ou montagem.

O passado que se pretende objetivamente dado é apenas o resultado de um processo de edição "esquecido" ( ou, ele mesmo, "editado"). É esse esquecimento que faz com que aquilo que não passa de um dos infinitos passados possíveis acabe aparecendo como o único verdadeiro.
(Fragmentos de Me segura qu'eu vou dar um troço, comentários de Antonio Cicero).

***

"Orestes: sou estranho para mim mesmo, sei. Fora da natureza, contra a natureza, sem desculpa, sem outro recurso senão eu. Mas não voltarei a estar sob o julgo da lei: estou condenado a não ter outra lei senão a minha".
- Jean Paul Sartre in As moscas.

**
"Los dioses son dioses, porque no se piensan".




terça-feira, 2 de outubro de 2007

"Hoje dormimos assim...

Foto: Henri Carter-Bresson

...E que o mundo acabe como quiser: voltamos já".


O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.

Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, cansaço...

(Álvaro de Campos)

*


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Mistério da Alma

Anna Karina

"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária. E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar. Com todo o perdão da palavra, eu sou um mistério para mim".

(Clarice Lispector, fragmentos)

***

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Segundo Miguel de Cervantes: "os óculos de aumento".

De todas as enfermidades que acometem o espírito, o ciúme é aquela a qual tudo serve de alimento e nada serve de remédio.
Michel de Montaigne


O ciúme é ficção.
Minha terapeuta vive dizendo que não posso ter ciúme, que isso é sentimento de posse, e que não possuímos nada nessa vida e blá-blá-blá. Mas como ser diferente? Sim, acho patético quando vejo cena de ciúme alheia, mas só a alheia. Quando minhas, são completamente justificáveis na sua alienação de ser e ponto.
Reza a lenda que quem sente ciúme inventa a estória e acredita nela piamente. É pá-pum. Quando vê, a cara de bruxa já está estampada, o humor já foi pro cacete e não adianta palavra, que palavra é palavrinha e se aporrinhar, vem o palavrão...
Coisa feia? Que nada! Simplesmente h-u-m-a-n-o.

*

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Hoje eu acordei assim...

You can tell by the way, she walks that she's my girl
You can tell by the way, she talks that she rules the world.
You can see in her eyes that no one is her chain.
She's my girl, my supergirl.

And then she'd say, it's Ok, I got lost on the way
but I'm a supergirl, and supergirls don't cry.
And then she'd say, it's alright, I got home late tast night,
but I'm a supergirl, and supergirls just fly.

And then she'd say that nothing can go wrong.
When you're in love, what can go wrong?
And then she'd laugh the nightime into day
pushing her fear further long.

And then she'd say, it's Ok, I got lost on the way
but I'm a supergirl, and supergirls don't cry.
And then she'd say, it's alright, I got home, late last night
but I'm a supergirl, and supergirls just fly.

And then she'd shout down the line tell me she's got no more time
'cause she's a supergirl, and supergirls don't hide.
And then she'd scream in my face, tell me that leave, leave this place
'cause she's a supergirl, and supergirls just fly

Yes, she's a supergirl, a supergirl,
she's sewing seeds, she's burning trees
She's sewing seeds, she's burning trees,
yes, she's a supergirl, a supergirl, a supergirl, my supergirl...

Reamonn - Supergirl

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Metade

Quando é preciso calar as palavras
em respeito ao silêncio que a reflexão traz,

o poema fala aos olhos o que a boca não diz...
As partes em negrito são grifos meus.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

E a festa acabou...

Natalie Wood

Aulas começando, estresse, estágio, matérias, Parapan. O bom disso é que - de vez - muitas coisas ficarão para trás. Tempo do novo!

Quarta-feira escreverei minha primeira matéria sobre câmeras e sistemas de segurança do Instituto onde estagio. Pois é, o bicho pega até lá! E eu – babimente – cheguei a acreditar que nesses lugares onde deficientes trocam informações sobre como viver melhor e descobrem habilidades, aprendem profissões, recebem atendimento gratuito médico e ajuda psicológica e tal, fossem mais calmos e libertos dessa porcaria de violência que assola o País. Na boa, constatar que é da natureza humana esse desejo tão forte pelo o que é do outro, assim como os pequenos e grandes delitos, o abuso sexual, a má fé...foi tanta informação para o meu 386, que fiquei fora de foco - igual ao personagem de
Woody Allen em Deconstructing Harry, 1997.

Quanto recebi os relatos que não poderão constar em pauta obviamente – e imagino porquê – pensei rapidamente em lugares seguros que conhecia e naquele momento, não consegui imaginar nenhum. Aquele ERA um lugar seguro para mim.

E no final da conversa 'amistosa' ainda fui advertida: cuidado ao sair tarde daqui, não é seguro. Ok. Anotado o recado.



terça-feira, 7 de agosto de 2007

Qual a diferença?

"Ter um corpo: eis a grande ameaça para o espírito".
Marcel Proust

Segunda, logo cedo, fui a uma reunião sobre a cobertura do Parapan 2007, realizada pela Unimed - uma das patrocinadoras do evento. Confesso ter me mantido alheia à qualquer manifestação ou notícia desse primeiro Pan de atletas sem deficiência. E curiosamente – por uma dessas brincadeiras do destino – hoje estou trabalhando na cobertura do Parapan.

Muitas imagens ilustraram nosso encontro matinal. Explicações, às vezes confusas, sobre a diferença nas avaliações e provas exigiram de todos os jornalistas presentes, uma atenção especial. Nas disputas, muitas nomenclaturas definem a deficiência dos atletas, assim como as adaptações e exceções de cada esporte. Foi um aprendizado.

Cenas fortes como a de um rapaz que, mesmo sem os braços, salta na piscina, utilizando-se apenas das pernas como ferramenta propulsora, me marcaram. Pode parecer besteira, viadagem minha, mas eu nunca tinha visto nada igual e acredito que muitos colegas jornalistas que lá estavam, também.

A grande questão dos organizadores, assim como da imprensa, nesse encontro, era simples: como “vender” o parapan? A sociedade acostumada a ver pessoas sem deficiência atingindo seus recordes, talvez não imagine que outros, com deficiência, consigam os mesmos resultados. São pessoas que superaram não só os números, mas a falta de estrutura e buscaram na adaptação, o melhor recurso para não estarem em desvantagem. Essa é a questão: deficiente visual, físico, mental, paralisados cerebrais, amputados, cadeirantes não são coitados. São pessoas que, através de esforços pessoais, se adaptaram a um mundo que, embora saiba da diferença, não se comove ou presta nenhum serviços para facilitar às suas vidas. Não há desvantagens no potencial, e sim, na estrutura garantida pelo governo e pelos patrocinadores.

Não adianta remar contra, essa foi a impressão que tive. Apontar o erro nem de longe vai resolver o problema. Então, o negócio é arregaçar as mangas e começar o trabalho! Esse será o espírito do Parapan.


quarta-feira, 18 de julho de 2007

O Mar


Homem livre, tu sempre gostará do mar
Charles Baudelaire


Hoje sentei na areia da praia e fiquei observando o mar por quase uma hora.

Imaginei muitas coisas e ao mesmo tempo o pensamento ia solto, solto. Tentei imaginar a minha primeira impressão do mar, qual teria sido o meu espanto ao ver tanta água? Eu não conseguia lembrar. Não conseguia.

E pensei no difícil hábito de ver uma coisa como se fosse a primeira vez. A possibilidade concedida aos olhos que é a grandenza da estréia, do sempre novo, embora estejamos falando de algo conhecido.

Pensei no tanto de água e oceanos que separam continentes e pessoas. Algumas almas se encontram e seguem nessas terras, nessas águas, caminhos distintos. E é uma fatalidade de sorte, eu diria, já que outras nunca irão se encontrar nem em pensamento.

Pensei em mim no desenho disso tudo. E me senti pequena, sem forças.

A imagem agora é a vista da praia na sua totalidade. Duas crianças brincam na água, catam tatuí. Lembrei que fazia isso também. Aquelas perninhas espertas desses bichos, éca! Cosquinhas na palma da mão. Era maravilhoso. E sorri sozinha.

Amar e ser amado: eis o 'por enquanto' da vida.
Eu sempre esqueço que as histórias acabam.

Como é possível saber com o quê preencher a saudade que vem? Nem imagino...


sexta-feira, 6 de julho de 2007

Essa é para você

Ao babaca

Todo mundo precisa de amigos, meu bem.
Alguma vez você parou para pensar que só te aplaudem pela tua grana? Estão fazendo caridade com o teu chapéu ou você não percebeu?

Não, você não percebeu.


Babaca.

Estão te comendo por trás e você nem aí. Nem aí! Isso porque acredita nesse show de neon que te venderam.

Te venderam merda com gelatina, meu amor.

Olha no espelho, cadê você? A roupa que te deram é maior que o defunto. Veste a máscara para falar, meu filho, por quê? Não te entregaram o discurso? Não sopraram no teu ouvido as palavras que você tinha que dizer? Marionete. É isso que você é: m-a-r-i-o-n-e-t-e.

A tua coragem secou ou simplesmente você nunca a teve? Gostaria de saber onde você enfiou a tua memória, a simpatia, o teu caráter...será que é no mesmo lugar onde estão metendo em você? Provável. Cadê você? Você que pensa em fazer mitos, levanta quem quer te derrubar. Você questiona as pessoas que te amam, quando deveria se questionar.

É questão de tempo, baby, você vai ver, o palácio vai ruir. Vão te dar espelhos, meu bem, e será um momento difícil. Difícil. Você vai chorar, se desesperar, se achar o último biscoito no pacote e no fundo, será tudo isso e mais um pouco. Juro que não gostaria de te dizer palavras duras. Quero o teu bem, mas quero o meu também.

E pensar nessas coisas todas, nesses 'caralhos ambulantes' atrás de você me faz um mal. Deve ser duro, não é? Mas sei que você anda anestesiado e nem sente a dor. Isso me conforta.

Vou engavetar você e as tuas moléstias, que hoje, são todos meus desafetos. Vou tentar apagar o que foi ruim e viver com as lembranças boas. Estou criando o meu mundo, assim como você criou o teu. Só que diferente de você, não vou atirar pedras.

Eu não jogo pedras em amigos.

Eu acredito neles, embora não acredite mais em você. É uma piada o que você vive. Você virou piada.

Ah, só mais uma coisa, vê se guarda com carinho: foda-se.


sexta-feira, 29 de junho de 2007

“Vão-se os anéis, ficam-se os dedos”

"Viver, simplesmente viver, meu cão faz isso muito bem".
Alberto Cunha Melo


Estou em nova fase: mais positiva e mais feliz.
Felicidade para mim é ter prazer no que faço. É estar conectada com cada idéia, cada palavra, cada pessoa. É uma religião: eu preciso acreditar para que seja possível manter o movimento. E movimento é o que renova...
...
Algumas vezes adio as minhas certezas por medos, dúvidas.
- Mas eu não preciso ter receios quando os meus olhos refletem as razões.
Hoje respiro fundo e posso sentir à plenos pulmões uma energia forte e fortalecedora de...l-i-b-e-r-d-a-d-e!




sábado, 16 de junho de 2007

Muito o que aprender...

"Gostaria de morrer em nome de alguma coisa, mas não creio que mereça tanto".
Fernando Sabino


Trechos da entrevista que Hélio Pellegrino concedeu à Clarisse Lispector:

- Hélio é bom viver, não é? É, pelo menos, a impressão que você me dá.
- Viver - essa difícil alegria. Viver é um jogo, um risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder, acumula ferrugem nos olhos e se torna cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom - se torna fascinante. Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. Somos feitos de tempo, e isso significa: somos passagem, movimento sem trégua, finitude. A quota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo. É preciso garimpá-la, com incessante coragem, para que o gosto de seu ouro possa fulgir em nossos lábios. Se assim acontece, somos alegres e bons, e a nossa vida tem sentido.

(...)
A gente, no fundo, tem medo de nascer, pois nascer é saber-se vivo e - como tal - exposto à morte.

- Diga qual é a fórmula da vida. Eu queria imitar.
- Há, no Diário íntimo de Kafta, um pequeno trecho ao qual gostaria de permanecer para sempre fiel: "Há dois pecados humanos capitais, dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência foi o homem expulso do Paraíso. Por causa da sua preguiça, não retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Tenhamos paciência - uma longa e interminável paciência - e tudo nos será dado por acréscimo".

Dados do entrevistado: Hélio Pellegrino, escritor e psicanalista.

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quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sinal


A menina saiu correndo desajeitada.
Estava um pouco bêbada, um pouco confusa, um pouco puta.
No ombro apenas um bolsa verde e uma mochila com algumas peças de roupa.
Sentia a noite tão fria ou seria a noite que dentro dela acontecia?
Não sabia dizer mais nada.
- a vida paralisada.

(...)

Quis correr e correu.
Correu tanto, tanto, tanto.
Até que do ponto de partida ficou só um ponto.
Nada mais que isso.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

A Palavra

A comunicação anda tão difícil...

Não é de hoje que as palavras estão virando fumaça.

O fenômeno que acontece é no mínimo curioso: fala-se muito e nada se diz. Mas tudo é relativo, inclusive esse nada que, na próxima hora, pode ser o tudo.

Convenhamos, as entrelinhas sempre fizeram parte do texto - e não só do contexto, como alguns poucos, desavisados, avaliaram.

Foi-se o tempo onde as palavras andavam juntas, coerentes. Hoje, elas vivem loucas, alucinadas em hiato de espírito. Estão do outro lado da ponte - mas cadê a ponte? As palavras não chegam. Ninguém chega. O que existe é o silêncio. Só ele está a-b-s-o-l-u-t-o.

Na verdade, comunicar é quase artesanal e cansa. É muito trabalhoso.

Comunicar dói.
Toda vez que eu tento é como se
um pedaço meu descolasse no 'entendi' dito por alguém.



sábado, 19 de maio de 2007

Da elegância


Para minha infelicidade, estamos num tempo onde gentilezas não existem - mas será que um dia existiu? Ando cansada dos déspotas, dos seus abusos de poder, dos que não tem reação. A carruagem anda sem o cocheiro e ninguém se importa. Os cavalos estão soltos!

Acredito que ignorá-los seja a melhor opção.
A Campanha Contra a Mediocridade, agradece.



quinta-feira, 17 de maio de 2007

Do amor




Retalhos
É o retalho de fundo dourado,
Com estrelas brilhantes costuradas: eu e você.
É a ferrugem da agulha que passa para a linha,
Dando outra cor à cor.
É a imprecisão dos pontos,
A mão trêmula, o pano gasto:
É a não intenção da coisa certa
Na combinação do sem combinar.
É a linha que une os tecidos,
Corpos da mesma vontade.

É a imaginação do novo desenho que surge

Trazendo a surpresa dos pedaços já costurados:
Na mistura, na perda, no achado - a exposição.
Há quem pergunte: como fazer uma criação
Com as sobras de pano de outras roupas?
Ser retalho é ter várias pequenas partes inteiras.
É o não caber em si.
Mas como costurar o tempo nessa história?
É aí que a linha que arrebenta.

(Adriana Schimit)

***


segunda-feira, 14 de maio de 2007

"Mesmo na noite mais triste, em tempo de servidão,
Há sempre alguém que resiste,
Há sempre alguém que diz não."

(
Manuel Alegre in Trova do vento que passa)




Limite


"I wish I was special,
(...)

What the hell am I doing here?
I don't belong here.
(...)
I want a perfect soul.

( Creep - Radiohead)


terça-feira, 8 de maio de 2007

DEFINITIVAMENTE: BOM SENSO É UM PONTO DE VISTA


Sim, este blog aderiu a Campanha Contra a Mediocridade!

Para começar bem a semana, a Campanha contra a Mediocridade foi presenteada com uma entrevista com a maravilhosa Beatriz Segall, publicada em 04/05/07, no JB. Aqui vai só um trechinho:

(...)

Beatriz: O que vale é o sucesso rápido, instantâneo, não precisa durar. Existe uma luta constante para criar coisas novas, para chamar atenção, sem se lembrar das mazelas que são deixadas para trás. (...)

JB: Isto tem a ver com o ‘BBB’?

Beatriz: É uma época de desmanche geral. Não se tem base em coisa alguma. Esses programas só aumentam o grau de voyeurismo e mediocridade. Em um país em que o Estado, o Congresso Nacional e o poder judiciário estão tão desmoralizados, o que esperar do resto?

JB: Estamos à beira da mediocridade?

Beatriz: Não, estamos mergulhados na mediocridade.

Saravá, Segall! Este blog está com vc!


Obrigada, Almeida.




quinta-feira, 3 de maio de 2007

PALAVRAS



True story
O mendigo aproximou-se do conhecido poeta, só que em vez de dinheiro pediu antes que lhe escrevesse uma metáfora "das boas". Vendo o ar intrigado do poeta, o pedinte explicou:

- Uma que se perceba, está a ver?

O poeta não percebeu.


terça-feira, 1 de maio de 2007

Quer namorar comigo?


Para Tony

"Chega mais perto, moço bonito
Chega mais perto, meu raio de sol
A minha casa é um escuro deserto
Mas com você ela é cheia de sol
Molha tua boca na minha
A tua boca é meu doce, é meu sal
Casa de sombra, vida de monge
Quanta cachaça na minha dor
Volta pra casa, fica comigo".

Tom Jobim


quinta-feira, 26 de abril de 2007

ESPELHOS

Vanessa Paradis


Conhece-te a ti mesmo
Sócrates


A sentença de Sócrates não sugere uma investigação direta, fato. Segundo Diógenes Laércio, Sócrates oferecia espelhos aos seus discípulos para que, se bonitos, cuidassem de ser dignos. E se fossem feios - como ele era - procurassem ser sábios.

Mas que grau de realidade teria uma máscara? Um desenho de um rosto? Ou mesmo, a imagem de um reflexo no espelho? É bem provável que a realidade dependa do momento de percepção, assim como a aceitação de toda realidade possa vir a ter uma existência - em um outro prisma - fora do olhar contínuo do espectador.

Platão dizia que as imagens espelhadas seriam 'criações falsas', porque o reflexo de um espelho não tem realidade tangível.

"Se você decidir pegar um espelho e carregá-lo por toda parte, diz Sócrates, vai produzir rapidamente o sol e todos os seres no céu, e produzir rapidamente a terra, a si mesmo, os outros animais, instrumentos, plantas e todos os objetos (...). Você conseguirá reproduzir a aparência deles, mas não a realidade e a verdade".


quarta-feira, 25 de abril de 2007

Imagem Como Ausência

Pollock at work, 1950.


Resgatar o silêncio é o papel dos objetos
- Samuel Backett -


"A tentativa de não comunicar é, de qualquer modo, tão complexa quanto a tentativa de comunicar, e sem dúvida igualmente antiga.

Mas a admissão formalizada dessa tentativa, desse enriquecimento do silêncio - mediante palavras, gestos ou sinais - é um fenômeno moderno que, no mundo ocidental, começou há menos de um século.

Os filósofos cínicos, na Grécia antiga, que relutavam dialogar, os padres do deserto, que se retiraram do mundo das relações sociais nos primeiros anos do cristianismo, 'o resto é silêncio', frase cunhada por Hamlet, da qual muito se abusou, prefiguram a nossa compreensão da impossibilidade de dizer.

Mas é só no século XX que o poeta Stéphane Mallarmé, apresenta, em desespero, a página em branco, Eugène Ionesco decreta em suas peças, que 'o mundo impede que o silêncio fale', Beckett põe em cena um ato sem palavras, John Cage compõe uma música chamada 'Silêncio' e Pollock pendura na parede de um museu uma tela coberta com espirros mudos".

Alberto Manguel in Lendo Imagens, ed. Cia das Letras


terça-feira, 24 de abril de 2007


UTOPIA, Thomas More


"Em primeiro lugar, os príncipes cuidam somente da guerra (arte que me é desconhecida e que não tenho nenhum desejo de conhecer). Eles desprezam as artes benfazejas da paz. Trate-se de conquistar novos reinados, e todos os meios lhes parecem bons; o sagrado e o profano, o crime e o sangue, não os detêm. Em compensação, ocupam-se muito pouco de bem administrar os Estados submetidos à sua dominação.


Quanto aos conselhos dos reis, eis aproximadamente a sua composição: uns se calam por inépcia, e teriam mesmo grande necessidade de ser aconselhados.


Outros, são capazes, e sabem que o são; mas partilham sempre do parecer do preopinante, que está em melhores graças, e aplaudem, com entusiasmo, as pobres imbecilidades que este entende desembuchar; esses vis parasitas só têm uma finalidade: ganhar, por uma baixa e criminosa lisonja, a proteção do primeiro favorito.


Os outros, são escravos de seu amor próprio e escutam apenas a própria opinião, o que não é de admirar, pois a natureza insufla cada um a afagar com amor os produtos de sua invenção. É assim que o corvo sorri à sua ninhada, e o macaco aos seus filhotes.


Que sucede então no seio desses conselhos onde reinam a inveja, a vaidade e o interesse?"


- >E a vida imita a arte.





Sim, Eu Sobrevivi ao Final de Semana

Kate Moss

Semana de provas...




sábado, 21 de abril de 2007

Hoje acordei assim...

Dita von Teese

O final de semana promete...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Hoje acordei assim...

Persistência da Memória, 1931 - Salvador Dalí

Love, amor, amore. A língua muda, mas a necessidade é a mesma. A persistência vem disso, da palavra necessidade...

Essa pequena tela é uma das obras de arte mais famosas do séc. XX. As imagens flácidas dos relógios que se dobram, mas não se desfazem, evocam a obsessão humana com a passagem do tempo e com a memória. A paisagem de fundo lembra o Port Lligat, próximo de Figueres, onde Dalí nasceu e viveu. Mais tarde, Dalí diria que o tema dessa tela surgira quando meditava sobre a natureza do queijo camembert... Ao longo do tempo, no entanto, essa obra deu margem a numerosas e variadas interpretações. A idéia da passagem do tempo está presente em várias outras obras de Dalí inclusive em um curioso relógio feito por ele, em 1949, chamado o olho do tempo. As cores são muito transparentes. O desenho é de grande precisão. Embora essa tela seja, de acordo co as concepções surrealistas, a representação real de objetos irreais, não é de maneira alguma realista, quanto mais não seja pelo aspecto estático das coisas, e pela luz fria e estranha que as banha. Os objetos têm entre si associativas e enigmáticas, tal como em certos sonhos...