segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Interlúdio

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.

Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.


(Cecília Meireles)
*

Futuros amantes


Chico Buarque fala sobre os Futuros Amantes
*

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

A Força Que Nunca Seca

"There's a force stronger than nature
Keeps her will alive
That's how she's dying
She's dying to survive
Don't know what she's made of
I would like to be that brave".


Pearls - Sade

*
"E a força nunca seca
Pra água que é tão pouca".
Chico César & Vanessa da Mata

**

Guardar-se o que se quer guardar



GUARDAR

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
(Antonio Cicero)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Momento: 'tudo' é o que você tem.
Adriana Schimit

Let me know the way

"The long and winding road
That leads to your door
Will never disappear
Ive seen that road before
It always leads me her
Lead me to you door".


The Beatles - The Long and Winding Road
•

A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não

Foto: Adriana Schimit

"Quem me chamou
Quem vai querer voltar pro ninho
E redescobrir seu lugar
Pra retornar
E enfrentar o dia-a-dia
Reaprender a sonhar
Você verá que é mesmo assim, que a história não tem fim
Continua sempre que você responde sim à sua imaginação
A arte de sorrir cada vez que o mundo diz não
Você verá que a emoção começa agora
Agora é brincar de viver
E não esquecer, ninguém é o centro do universo
Que assim é maior o prazer".

(Brincar de Viver na voz de Maria Bethânia).
*

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Poema de Natal

Foto: Tony Lindner
*
Natal é um tempo de espera, mudanças, frutos a nascer. Tempo de criatividade, boas vibrações e do esquecimento - mesmo que temporário – de todas as desavenças, miudezas e da falta de caráter humana. É tempo de olhar o que foi e preparar o que está por vir. Nesse caminho, o coração é aquele que mais sofre com tantas possibilidades: é muita esperança que pode, sim, se tornar frustração no final. Mas Natal é avesso à frustração. Natal é coragem, tempo de "pagar para ver" (trocadilhos à parte), de começo, simpatia...No Natal é onde somos mais do que entendemos ser. Uma pena só entendermos isso uma única vez no ano. Que a vibração exista e persista durante todo o ano! Que tentemos ser melhores sempre...
Feliz Natal!
:)

**

POEMA DE NATAL

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes in "Antologia Poética", Editora do Autor - Rio de Janeiro, 1960, pág. 147).
****

domingo, 23 de dezembro de 2007

Saravá

"Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer...Vai, vai, vai, vai, amar. Vai, vai, vai, sofrer. Vai, vai, vai, vai, chorar. Vai, vai, vai, dizer".
(
Baden Powell e Vinícius de Moraes).


Fabiana Cozza -
Canto de Ossanha

*

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Feito bailarina


Chico Buarque e Caetano Veloso - Tatuagem/ Esse Cara

"Isso é uma revelação incrível da pessoa. E você em todas as suas letras no feminino são geniais, são impressionantes! Falam que é a ânima da pessoa. (...) Porque você revela um outro negócio teu, que não é ego, que é do céu, que é grande. É lindíssimo! Suas mulheres, essas mulheres de dentro de você são lindas"...
(Caetano Veloso, 1978).
*

Quebrar ou não quebrar o cofrinho?

Hoje tive uma grata surpresa: Ney Matogrosso no Canecão no dia 03 de janeiro! Tenho preguiça de shows, é verdade. Gosto do Ney e vi uma palhinha deste show enquanto trabalhava... Sensacional! Seja como for, agora, quem sabe, terei a chance de ver com calma essa maravilha de espetáculo. Só espero estar animada até lá...


Rosa de Hiroshima
*

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Título da Vogue

Sem dúvida alguma, este foi o ano do ator Wagner Moura, que colhe os frutos de escolhas acertadas feitas em 2007; primeiro seu personagem Olavo, em Paraíso Tropical, caiu nas graças do público, e depois, foi a vez do filme Tropa de Elite, como o Capitão Nascimento. Isso, claro, sem contar as inúmeras campanhas publicitárias antes , durante e depois de cada projeto. A boa da vez foi o título de Homem Vogue do Ano e um ensaio fotográfico feito por Bob Wolfenson ao som de Red Hot Chili Peppers... Outras fotos e informações aqui.
*

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Post de "catiguria" 2


Bebel & Alice

Impagável.

*

Post de "catiguria" 1


Bebel & Olavo - a cena do ano

O final é over, mas estamos falando de Paraíso Tropical - uma novela das oito. Sim, eu assisti, embora não tenha visto esta cena, mas a tecnologia está aí e que bom que esteja! Só assim é possível ver e rever cenas como essa...

*

sábado, 15 de dezembro de 2007

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Haja paciência


Acho engraçada - isso para não dizer patética - a história dos EUA afirmarem que não fazem uso de tortura. Todo mundo sabe que isso não é verdade – até a ONU sabe disso, mas faz vistas grossas e não é difícil imaginar o por quê. No Brasil é a mesma merda. Fala-se em “técnica” ao invés de “tortura”. Mas é apenas um jogo de palavras. Na prática, é tudo a mesma coisa. Agora, dizer que os investigados (torturados) são pouco cooperativos, por favor! Aliás, essa é a condição da minha paciência na atualidade, "pouco cooperativa".
Leia aqui a reportagem.
*

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Losing game

Amy Winehouse fez um novo clip, a bela canção da vez é Love is losing game, disponível aqui. Nesse clip, as imagens parecem antigas e melancólicas, até o Blake Fielder-Civil - o marido doidão que está preso - aparece em vários momentos.

Sem dúvida um belo registro para Amy.

Quis comentar o fato, porque diferente de muitos que conheceram Amy pelo hit Rehab, o meu primeiro contato foi justamente Love is a losing game, com o vídeo que disponibilizo abaixo. Vejam o que eu vi. Simplesmente maravilhoso!

Na época, lembro, o que mais me impressionou foram os olhos cheios d’água, e a canção rasgada como um canto de dor. E era.
Enjoy!



*

Curiosidades sobre a cafeína

Excesso de cafeína pode deflagrar crise de pânico

É o que diz a reportagem da UOL Ciência e Saúde de hoje. De acordo com um
estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sobre o excesso da cafeína no organismo, o consumo desenfreado dessa substância , pode desencadear crises em portadores da síndrome do pânico. E os sintomas são: dor no peito, palpitação, dificuldade para respirar, sensação de desmaio, tremores, sudorese excessiva, tonteira e sensação de morte iminente. É sempre válido lembrar que o vilão não é só o cafezinho, a cafeína também está presente no chá, refrigerantes e chocolate.

Ficou com medinho? Pois é bom ficar mesmo! Clica aqui, ó, e leia a reportagem na íntegra.

*

O mundo é o mar


Alejandro Sanz - Quisiera ser

É engraçado como uma canção pode mexer com o nosso imaginário e nos transportar para um lugar cativo, seja no passado ou no futuro. Sim, foi-se o tempo em que eu escutava todos os dias essa canção do acústico. Era um abrigo para o chamado agora. E os primeiros acordes me transportavam para uma praia paradisíaca, com direito a drink refrescante e um mar imenso de frente. Pensava no meu corpo relaxado na canga branca, os pés para fora cheios de areia - um verdadeiro ensaio a la bife à milanesa -, o vento suave no rosto, chapelão e óculos escuros, o barquinho. Tudo bem clichê, como as propagandas do leite Molico: todo mundo de branco e feliz. Hoje escutei de novo a canção e a sensação foi a mesma de antes...

"Tufões violentos
E arrebentação
Hoje é calmaria
Que dorme dentro do coração
Velhos marinheiros do mar da Bahia
O mundo é o mar
Maré de lembranças
Lembranças de tantas voltas que o mundo dá".

*
Salve, Bethânia!

***

Comigo agora é assim:

First moment:
Second moment:
"Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens".
Albert Einsten

*

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


Arnaldo Antunes / Debaixo D'Água

"Uma coisa de cada vez
tudo ao mesmo tempo agora".
(Arnaldo Antunes in Uma coisa de cada vez )

*

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Fito Paez y Mercedes Sosa


Yo vengo a ofrecer mi corazón
(...)

No será tan fácil, ya sé qué pasa,
no será tan simple como pensaba,
como abrir el pecho y sacar el alma,
una cuchillada del amor.

Luna de los pobres siempre abierta,
yo vengo a ofrecer mi corazón,
como un documento inalterable
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y uniré las puntas de un mismo lazo,
y me iré tranquilo, me iré despacio,
y te daré todo, y me darás algo,
algo que me alivie un poco más.

Cuando no haya nadie cerca o lejos,
yo vengo a ofrecer mi corazón.
cuando los satélites no alcancen,
yo vengo a ofrecer mi corazón.

Y hablo de países y de esperanzas,
hablo por la vida, hablo por la nada,
hablo de cambiar ésta, nuestra casa,
de cambiarla por cambiar, nomás.

¿Quién dijo que todo está perdido?
yo vengo a ofrecer mi corazón.
(Fito Paez)
*
Lindo!
***

Incapacidade cognitiva

Alexandre O´Neill, in Poesias Completas, pp.103
*

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007


Das coisas que eu não entendo:






  1. Agora tudo é 'online'. Ninguém mais se fala.
  2. Ócio total: passo o dia descabelada, sem nada para fazer, esparramada na cama. O telefone toca. Corro para atender, quando chego perto, ele pára de tocar.
  3. Volto pra cama, relaxo outra vez. O telefone volta a tocar. Corro para atender, atendo. É engano.
  4. Algumas pessoas ligam para os outros e falam, falam, falam. Quando é a vez do outro falar, elas interropem com conversinhas paralelas em chats de msn. Fico passada.
*

Estardalhaço


Hedwig and the angry inch - Origin of love

Quem poderia pensar com esse estardalhaço chamado amor ao pé do ouvido? A renúncia – a parte negra que ninguém conta nas belas histórias – é o que mais dói: o ato de deixar alguém ir. Agora sei porque tantas metades vagueiam pelas madrugadas batendo umas às outras, na doce esperança de fazerem algum sentido. Elas não querem estar dormentes. Procuram por algo que já não existe mais. Não do jeito que era. O amor não dá garantias, ele apenas está, seja por perto ou em alguma terra distante. Eis a “justiça” praticada pela vida. Escolher é um ato solitário. Um sempre cede para que o outro possa dar um passo à frente. E quem fica - sim, porque alguém sempre fica no meio do caminho – procura pelas frestas de quem foi na esperança de ir também, só que desta vez, junto.
"O coração, se pudesse pensar, pararia."
*

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Clique na figura para ampliar.
*

terça-feira, 27 de novembro de 2007

How to fight


Wilco - How to fight loneliness

"And the first thing that you want
Will be the last thing you’ll ever need
That’s how you fight it".
Just smile all the time

*

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ain't Got No


Nina Simone in Ain't Got No - I Got Life

Faz um mês que entendi o verdadeiro sentido desta música. E o milagre do “foda-se” aconteceu pra mim. Sim, ele é possível. Mas confesso que, vez ou outra, o que sei vacila. É um aprendizado muito difícil. Na verdade, ninguém pode roubar alguma coisa de mim. Tudo está enquanto precisa estar. Uma vagabunda pode tentar a sorte com um abraço na madrugada, mas ela não pode roubar o que eu não tenho. O que eu tenho é um entendimento meu, uma dádiva, uma energia. É a minha sintonia com as coisas e pessoas. Por isso, é impossível roubar o que eu tenho.
Got life,
I got my freedom
I got my life.

***

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

I found my hero


Cate Blanchett in Bandits, 2001.

Admito: cozinhar não é o meu forte. Meu forte mesmo é comer. Mas, vez ou outra, quando me aventuro entre as panelas, faço como a Cate. Pra mim, cozinha também é lugar de dancinhas esquisitas e de músicas pra cantar junto. Sem dúvida uma das melhores cenas do filme.

Nota solta: a canção é de Bonnie Tyler e chama-se: Holding Out For A Hero.

***

terça-feira, 20 de novembro de 2007

This old world is a new world


Sleep in peace when day is done
That's what I mean...

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sábado, 17 de novembro de 2007

O ovo & ela

New York 1946, Elliot Erwitt

A recordação da felicidade já não é felicidade.
A recordação da dor ainda é dor.

Lord Byron

Ela tinha um ovo. Era só um ovo, que estranhamente viu crescer em seu pé esquerdo depois de um dia exaustivo de trabalho. Inflamação, diagnosticou o médico. E ela aceitou que fosse. Durante toda a semana anterior, ela conviveu com o ovo fazendo compressas, massageando e passando pomada na tentativa de amenizar a dor. Doía muito. Ela sentia cada milímetro do ovo. A identificação aconteceu naturalmente. Ela não podia mais andar. Encostar o pé no chão era um suplício! Foi quando resolveu tomar a medicação.

Tentou inutilmente telefonar para os amigos, não estavam. Nem online, pasmem! Todos “busy” demais, pensou. O mundo não parou com ela. Nem para ela. Foram dias de exclusão social: não podia beber nem sair. Ela gostava de uns goles mais quentes, gostava do torpor, de ver gente arrumada na noite, da meia luz, mas não podia beber nem sair. E sua vida foi se resumindo ao “não poder”. Não podia isso, não podia aquilo. Era só ela e o ovo. O ovo e ela.

E toda aquela impossibilidade se transformou em comida e sono. Dormia horas a fio. Só queria saber de dormir. Comia, tomava o remédio e dormia. Não parecia querer perceber as mudanças no seu corpo. E não percebeu, porque não estava ali. Ou melhor, não queria estar - ela estando.

E foi assim por sete longos dias. Até que, sem querer, ela se despediu do seu – fiel – amigo ovo, sem lhe dizer adeus.
(Adriana Schimit)

***

domingo, 11 de novembro de 2007


Das coisas que eu não entendo:






1) Por que as pessoas não separam o dinheiro do ônibus se sabem que vão pegar o ônibus?
2) Ônibus lotado: por que as 'tias gordas' insistem em entrar com as sacolas de compras?

***

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

A Dieta de Úrsula

Tome partido. Neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. Silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado.
Elie Wiesel

Úrsula era ansiosa. Sabia que o verão se aproximava e que não estava em forma. Com uns quilinhos a mais, sonhou dias e dias com a dieta perfeita. Essa semana resolveu ir ao médico. Trêmula, nitidamente apreensiva, só tinha um único objetivo em sua mente: um remédio de tarja preta.
Chegou o dia. No consultório, a espera matava Úrsula. Ela estava inquieta e não conseguia posição confortável na cadeira. Mexia para um lado e para o outro, ajeitava o vestido, passava os dedos entre o cabelo, olhava para o nada. Os minutos não passavam. O médico se atrasara. “Cadê esse, puto?”, pensou. E nada do médico chegar. Até que ele chegou. Úrsula era a primeira da lista de espera. Sem titubear, levantou-se e ficou fitando a porta do consultório como uma cadelinha que olha o frango no espeto da padaria. Era chegada a sua hora. Hora boa. Distraidamente, ela entra e deixa a porta aberta...
- Bom dia.
- Bom dia, doutor - responde calmamente.
- Úrsula é o seu nome, não é?
- Sim, é.
- Pois bem, Úrsula, conte-me o que lhe aflige...
- Então, doutor, estou muito acima do meu peso e gostaria de um remédio que pudesse ajudar a moderar o meu apetite...
- Você tem muita fome, Úrsula?
- Sim, bastante. Pareço uma vaca no seu último dia de vida – descontraídos, os dois riram.
- Mas acredito que com uma dieta, você consiga o peso desejado.
- Não, doutor, o sr. não está me entendendo, quero um remédio que modere meu apetite. Preciso de um! Não posso me controlar nesse momento...
- Mas com uma dieta equilibrada, Úrsula, você vai conseguir – a longo prazo – os resultados que espera. Mas é preciso, também, fazer exercícios. Você faz exercícios?
- Sim, doutor, pratico natação no meu condomínio. Mas puxar ferro? Isso eu não faço não.
- Tudo bem, Úrsula, praticar esportes é muito importante...e esse já é um começo. Vou fazer uma dieta agora para você.
Nesse momento, o médico voltou-se para o computador e começou a redigir a receita com a dieta. Úrsula, inconsolada, na sua última tentativa pergunta – nitidamente – sem paciência:
- Mas, doutor, e o remédio?
- Sem remédios, Úrsula! Sem remédios...
Louca, ela grita e gesticula de forma agressiva: então, doutor, e o que faço com o biquini que comprei pra esse verão? Faço o quê? Enfio no seu cú?
O médico fica estático, sem querer acreditar no que vê e escuta. Ela continua.
- E a casa em Angra que aluguei, hein, hein? Como fica?
- E o dinamarquês que vem me comer? Isso o sr. não pensou, né, não? Passa logo essa porra de remédio a-g-o-r-a!
- Calma, sra. Úrsula...calma!
- Que calma o quê?!
Nisso, Úrsula visualiza onde estão as guias azuis sob a mesa. Fita seu objetivo de desejo como se sua vida dependesse de uma única cor, a azul. E num ato impensado, ela levanta bruscamente, pega o talão de receitas, e sai correndo do consultório para nunca mais voltar.
(Adriana Schimit)

*
Este blog adverte: o nome é fictício, mas a história pode ser real.

**
Música do blog de hoje: Jamie Cullum – "High And Dry".

***

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

If you're leaving will you take me with you?


OASIS - Stand by me

Certos clips são clássicos e valem pelo visual - esse é um deles. Apesar do belo refrão: “stand by me - nobody knows the way it's gonna be”, a melodia apenas embala a história vivida por 2 japinhas. E diferentes de outros clips da dupla, a imagem dos irmãos
Gallagher não aparece e isso apenas soma às qualidades do vídeo.
Excelente...
*

domingo, 4 de novembro de 2007

O caminho do BEM

"Quando amamos, queremos que nossos defeitos permaneçam ocultos, não por vaidade, mas porque o objeto amado não deve sofrer. Sim, aquele que ama desejaria aparecer como um deus, e isto não por vaidade".

Friedrich Wilhelm Nietzsche

*

sábado, 3 de novembro de 2007

O desbarato mais absurdo

***
O desbarato mais absurdo não é o dos bens de
consumo, mas o da humanidade: milhões e milhões de seres humanos nasceram para ser trucidados pela história, milhões e milhões de pessoas que não possuíam mais do que as suas simples vidas.

De pouco ela lhes iria servir, mas nunca faltou quem de tais miudezas se tivesse sabido aproveitar. A fraqueza alimenta a força, para que a força esmague a fraqueza.

(José Saramago)

*

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

We'll Always Have Paris







"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa

*****

domingo, 28 de outubro de 2007

Outros mundos

As palavras são como as pessoas: nada democráticas. Existem momentos de profunda clareza, mas é uma clareza ilusória. Na verdade, quase todas as sentenças cruciais da vida, parecem estar definidas por uma palavra chamada inacessibilidade. O erro, as dissonâncias, as contradições, as metades, estão todas conferidas à uma única pessoa. O mundo é certo. Todos estão sempre certos. Só eu estou errada nisso tudo.

A grandeza é plural e a vaidade também.

O estar, nesse caso, é um estar envolvido às situações anteriores - a falta que a falta faz -, e isso vai minando as expectativas, as possibilidades de alguma coisa vir a ser.

Vez ou outra, outros mundos se apresentam, e as pessoas assumem outras importâncias...

Quem nunca teve a impressão, que mesmo certo das suas ações, em um momento totalmente delicado, tentou se explicar, mas se atrapalhou mais e mais? Quem te viu e quem te vê. É assim, baby. É assim.
*

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Home


U2 - Walk On

***
Amor a gente busca nas pequenas coisas, no detalhe de um olhar, num gesto, na solidariedade, na compaixão... Muitas vezes não está apenas na sexualidade. Vai além. Respeito tem a ver com amor. Muito a ver. É a capacidade do ser humano de se colocar no lugar do outro e entender toda a falta de tato, todo o descompasso e a falta de sintonia. É preciso ter um tempo sozinho para perdoar de verdade. Certas coisas não são fáceis de lidar. É o que acontece com tudo que envolve a palavra emoção.

Um ditado italiano diz que “sua casa é onde está o seu coração”. Amor é isso. É onde está. Tudo que você procura, tem que estar lá. Como uma caixa de surpresas, tem que estar lá. Você não sabe onde vai, nem o que tem, mas o que você necessita - mesmo que por enquanto - vai encontrar. É onde você se reconhece.

“Home, hard to know what it is if you never had one. Home I can't say where it is but I know I'm going home. That's where the hurt is”.

***

domingo, 21 de outubro de 2007

Never Dreamed You'd leave in Summer


Stevie Wonder

Uma canção triste, para um momento triste.

***

Nuvem Negra


Djavan - Gal Costa - Chico Buarque

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Tempo, tempo, tempo...



***
Ouve bem o que te digo:
Tempo, tempo, tempo, tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Quando o tempo for propício,
De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
E eu espalhe benefícios,
Tempo, tempo, tempo, tempo.

O que usaremos pra isso
Fica guardado em sigilo,
Apenas contigo e comigo
Tempo, tempo, tempo, tempo.

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo,
Tempo, tempo, tempo, tempo,
Não serei nem terás sido
Tempo, tempo, tempo, tempo.

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Num outro nível de vínculo.

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios,
Tempo, tempo, tempo, tempo.
Nas rimas do meu estilo.

(Oração ao tempo, Caetano Veloso)

***

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Amigos & Solidão

Clarice Lispector entrevista Nelson Rodrigues.

É surpreendente como Nelson consegue captar - em palavras - o que a gente só percebe na intuição e cala. Segue um trecho da conversa:

- Nelson, você se referiu à solidão. Você se sente um homem só?
- Só ponto de vista amoroso eu encontrei a Lúcia. E é preciso especificar: a grande, a perfeita solidão exige uma companhia ideal.

- Ah, Nelson, isto é tão verdadeiro.
- Mas, diante do resto do mundo eu sou um homem maravilhosamente só. Uma vez fiquei gravemente doente, doente de morrer. Recebi em três meses de agonia, três visitas, uma por mês. Note-se que a minha doença foi promovida em primeiras páginas. Aí, eu sofri na carne e na alma esta verdade intolerável: o amigo não existe.

- Nelson, como consequência do meu incêndio, passei quase três meses no hospital. E recebia visitas até de estranhos. Eu não sou simpática. Mas o que é que eu dei aos outros para que viessem fazer companhia? Não acredito que não se tenha amigos. É que são raros. Ou eu dou muito pouco ou os outros não aceitam o que eu tenho para dar.
- Mas você tem sucesso real - e sucesso real vem quando se dá alguma coisa aos outros. Você dá. Certa vez fui a uma capelinha ver um colega morto. Eram duas da manhã. Uma mocinha saiu do velório ao lado com um caderninho na mão. Fez uma mesura para mim e disse: "quero ter a honra de apertar a mão do autor de A vida como ela é". E me pediu um autógrafo. Eu senti que estava vivendo um momento da pobre ternura humana. Eis o que eu queria dizer: o amigo possível e certo é o desconhecido com que cruzamos por um instante e nunca mais. A esse podemos amar e por esses podemos ser amados.. O trágico na amizade é o dilacerado abismo da convivência.

***

Vinicius de Moraes, poema.

Rita Hayworth

As mulheres ocas

Headpiece filled with siraw T.S. Eliot, "The Hollow Men"

Nós somos as inorgânicas
Frias estátuas de talco
Com hálito de champagne
E pernas de salto alto
Nossa pele fluorescente
É doce e refrigerada
E em nossa conversa ausente
Tudo não quer dizer nada.

Nós somos as longilíneas
Lentas madonas de boate
Iluminamos as pistas
Com nossos rostos de opala.
Vamos em câmara lenta
Sem sorrir demasiado
E olhamos como sem ver
Com nossos olhos cromados.

Nós somos as sonolentas
Monjas do tédio inconsútil
Em nosso escuro convento
A ordem manda ser fútil
Fomos alunas bilíngües
De "Sacre-Coeur" e "Sion"
Mas adorar, só adoramos
A imagem do deus Mamon.

Nós somos as grã-funestas
Filhas do Ouro com a Miséria
O gênio nos enfastia
E a estupidez nos diverte.
Amamos a vida fria
E tudo o que nos espelha
Na asséptica companhia
Dos nossos machos-de-abelha.

Nós somos as bailarinas
Pressagas do cataclismo
Dançando a dança da moda
Na corda bamba do abismo.
Mas nada nos incomoda
De vez que há sempre quem paga
O luxo de entrar na roda
Em Arpels ou Balenciaga.

Nós somos as grã-funestas
As onézimas letais*
Dormimos a nossa sesta
Em ataúdes de cristal
E só tiramos do rosto
Nossa máscara de cal
Para o drinque do sol posto
Com o cronista social.


* Uma das categorias da Nova Gnomônia, de Jayme Ovalle, que classifica os seres e as coisas em: datas, parás, mozarlescos, kernianos e os onézimos, sendo estes conhecidos "pés-frios". Para maiores esclarecimentos, ver o capítulo [a crônica] "A Nova Gnomônia" em Crônicas da província do Brasil, de Manuel Bandeira.

***

domingo, 14 de outubro de 2007

"Everybody needs somebody"


***
"Amor não é amor,
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor."

Shakespeare

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"E sonho esse sonho que se estende em rua, em rua em rua em vão."
Lucia Villares in Papos de Anjo

Como se eu estivesse por fora do movimento da vida. A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros.

A linguagem que eles usam para se comunicar quando rodam assim e assim por diante nessa roda-gigante. Você tem um passe para a roda-gigante, uma senha, um código, sei lá. Você fala qualquer coisa tipo "bá", por exemplo, então o cara deixa você entrar, sentar e rodar junto com os outros. Mas eu fico sempre do lado de fora. Aqui parada, sem saber a palavra certa, sem conseguir adivinhar. Olhando de fora, a cara cheia, louca de vontade de estar lá, rodando junto com eles nessa roda idiota - tá me entendendo, garotão?

Nada, você não entende nada.

Dama da noite. Todos me chamam e nem sabem que durmo o dia inteiro. Não suporto: luz, também nunca tenho nada pra fazer - o quê? Umas rendas aí. É, macetes. Não dou detalhe, adianta insistir. Mutreta, trambique, muamba. Já falei: não adianta insistir, boy . Aprendi que, se eu der detalhe, você vai sacar que tenho grana e se eu tenho grana você vai querer foder comigo só porque eu tenho grana.

E acontece que eu ainda sou babaca, pateta e ridícula o suficiente para estar procurando O verdadeiro amor.

Pára de rir, senão te jogo já este copo na cara.

Pago o copo, a bebida. Pago o estrago e até o bar, se ficar a fim de quebrar tudo. Se eu tô tesuda e você anda duro e eu precisar de cacete, compro o teu, pago o teu. Quanto custa? Me diz que eu pago. Pago bebida, comida, dormida. E pago foda também, se for preciso.

Pego, claro que eu pego. Pego sim, pego depois. É grande? Gosto de grande, bem grosso. Agora não.

A roda?
Não sei se é você que escolhe, não. Olha bem pra mim - tenho cara de quem escolheu alguma coisa na vida? Quando dei por mim, todo mundo já tinha decorado a tal palavrinha-chave e tava a mil, seu lugarzinho seguro, rodando na roda. Menos eu, menos eu.

Quem roda na roda fica contente. Quem não roda se fode. Que nem eu, você acha que eu pareço muito fodida? Um pouco eu sei que sim, mas fala a verdade: muito? Falso, eu tenho uns amigos, sim. Fodidos que nem eu. Prefiro não andar com eles, me fazem mal. Gente da minha idade, mesmo tipo de... Ia dizer problema, puro hábito: não tem problema. Você sabe, um saco. Que nem espelho: eu olho pra cara fodida deles e tá lá escrita escarrada a minha própria cara fodida também, igualzinha à cara deles. Alguns rodam na roda, mas rodam fodidamente. Não rodam que nem você. Você é tão inocente, tão idiotinha com essa camisinha Mr. Wonderful. Inocente porque nem sabe que é inocente. Nem eles, meus amigos fodidos, sabem que não são mais.

Tem umas coisas que a gente vai deixando, vai deixando, vai deixando de ser e nem percebe. Quando viu, babau, já não é mais.

Mocidade é isso aí, sabia?

*
(Caio Fernando Abreu in Dama da Noite, fragmentos)

***
A Drinking Song
by W.B. Yeats

Wine comes in at the mouth
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.

***

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Alphaville


Jean-Luc Godard

My funny Valentine


From the movie "The Talented Mr. Ripley" performed by Matt Damon and The Guy Barker International Quintet.
*****

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

"Criar é não se adequar à vida como ela é, nem tampouco se grudar às lembranças pretéritas que não sobrenadam mais."
(Waly Salomão, 1998, p.45)


Na abertura do livro Lábia proclama-se que a "memória é uma ilha-de-edição". Isso quer dizer que a memória não se reduz a um registro passivo de traços ou dados do passado. Ao contrário, o que temos por "dado" é já desde sempre o resultado da atividade interpretativo-construtiva - de seleção, corte, cópia, colagem, etc. - efetuado por um processo de edição ou montagem.

O passado que se pretende objetivamente dado é apenas o resultado de um processo de edição "esquecido" ( ou, ele mesmo, "editado"). É esse esquecimento que faz com que aquilo que não passa de um dos infinitos passados possíveis acabe aparecendo como o único verdadeiro.
(Fragmentos de Me segura qu'eu vou dar um troço, comentários de Antonio Cicero).

***

"Orestes: sou estranho para mim mesmo, sei. Fora da natureza, contra a natureza, sem desculpa, sem outro recurso senão eu. Mas não voltarei a estar sob o julgo da lei: estou condenado a não ter outra lei senão a minha".
- Jean Paul Sartre in As moscas.

**
"Los dioses son dioses, porque no se piensan".




terça-feira, 2 de outubro de 2007

"Hoje dormimos assim...

Foto: Henri Carter-Bresson

...E que o mundo acabe como quiser: voltamos já".


O que há em mim é sobretudo cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A sutileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas.

Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço, cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -

Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo, cansaço...

(Álvaro de Campos)

*


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Mistério da Alma

Anna Karina

"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária. E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar. Com todo o perdão da palavra, eu sou um mistério para mim".

(Clarice Lispector, fragmentos)

***

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Segundo Miguel de Cervantes: "os óculos de aumento".

De todas as enfermidades que acometem o espírito, o ciúme é aquela a qual tudo serve de alimento e nada serve de remédio.
Michel de Montaigne


O ciúme é ficção.
Minha terapeuta vive dizendo que não posso ter ciúme, que isso é sentimento de posse, e que não possuímos nada nessa vida e blá-blá-blá. Mas como ser diferente? Sim, acho patético quando vejo cena de ciúme alheia, mas só a alheia. Quando minhas, são completamente justificáveis na sua alienação de ser e ponto.
Reza a lenda que quem sente ciúme inventa a estória e acredita nela piamente. É pá-pum. Quando vê, a cara de bruxa já está estampada, o humor já foi pro cacete e não adianta palavra, que palavra é palavrinha e se aporrinhar, vem o palavrão...
Coisa feia? Que nada! Simplesmente h-u-m-a-n-o.

*

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Hoje eu acordei assim...

You can tell by the way, she walks that she's my girl
You can tell by the way, she talks that she rules the world.
You can see in her eyes that no one is her chain.
She's my girl, my supergirl.

And then she'd say, it's Ok, I got lost on the way
but I'm a supergirl, and supergirls don't cry.
And then she'd say, it's alright, I got home late tast night,
but I'm a supergirl, and supergirls just fly.

And then she'd say that nothing can go wrong.
When you're in love, what can go wrong?
And then she'd laugh the nightime into day
pushing her fear further long.

And then she'd say, it's Ok, I got lost on the way
but I'm a supergirl, and supergirls don't cry.
And then she'd say, it's alright, I got home, late last night
but I'm a supergirl, and supergirls just fly.

And then she'd shout down the line tell me she's got no more time
'cause she's a supergirl, and supergirls don't hide.
And then she'd scream in my face, tell me that leave, leave this place
'cause she's a supergirl, and supergirls just fly

Yes, she's a supergirl, a supergirl,
she's sewing seeds, she's burning trees
She's sewing seeds, she's burning trees,
yes, she's a supergirl, a supergirl, a supergirl, my supergirl...

Reamonn - Supergirl

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Metade

Quando é preciso calar as palavras
em respeito ao silêncio que a reflexão traz,

o poema fala aos olhos o que a boca não diz...
As partes em negrito são grifos meus.

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

(Oswaldo Montenegro)


terça-feira, 14 de agosto de 2007

E a festa acabou...

Natalie Wood

Aulas começando, estresse, estágio, matérias, Parapan. O bom disso é que - de vez - muitas coisas ficarão para trás. Tempo do novo!

Quarta-feira escreverei minha primeira matéria sobre câmeras e sistemas de segurança do Instituto onde estagio. Pois é, o bicho pega até lá! E eu – babimente – cheguei a acreditar que nesses lugares onde deficientes trocam informações sobre como viver melhor e descobrem habilidades, aprendem profissões, recebem atendimento gratuito médico e ajuda psicológica e tal, fossem mais calmos e libertos dessa porcaria de violência que assola o País. Na boa, constatar que é da natureza humana esse desejo tão forte pelo o que é do outro, assim como os pequenos e grandes delitos, o abuso sexual, a má fé...foi tanta informação para o meu 386, que fiquei fora de foco - igual ao personagem de
Woody Allen em Deconstructing Harry, 1997.

Quanto recebi os relatos que não poderão constar em pauta obviamente – e imagino porquê – pensei rapidamente em lugares seguros que conhecia e naquele momento, não consegui imaginar nenhum. Aquele ERA um lugar seguro para mim.

E no final da conversa 'amistosa' ainda fui advertida: cuidado ao sair tarde daqui, não é seguro. Ok. Anotado o recado.



terça-feira, 7 de agosto de 2007

Qual a diferença?

"Ter um corpo: eis a grande ameaça para o espírito".
Marcel Proust

Segunda, logo cedo, fui a uma reunião sobre a cobertura do Parapan 2007, realizada pela Unimed - uma das patrocinadoras do evento. Confesso ter me mantido alheia à qualquer manifestação ou notícia desse primeiro Pan de atletas sem deficiência. E curiosamente – por uma dessas brincadeiras do destino – hoje estou trabalhando na cobertura do Parapan.

Muitas imagens ilustraram nosso encontro matinal. Explicações, às vezes confusas, sobre a diferença nas avaliações e provas exigiram de todos os jornalistas presentes, uma atenção especial. Nas disputas, muitas nomenclaturas definem a deficiência dos atletas, assim como as adaptações e exceções de cada esporte. Foi um aprendizado.

Cenas fortes como a de um rapaz que, mesmo sem os braços, salta na piscina, utilizando-se apenas das pernas como ferramenta propulsora, me marcaram. Pode parecer besteira, viadagem minha, mas eu nunca tinha visto nada igual e acredito que muitos colegas jornalistas que lá estavam, também.

A grande questão dos organizadores, assim como da imprensa, nesse encontro, era simples: como “vender” o parapan? A sociedade acostumada a ver pessoas sem deficiência atingindo seus recordes, talvez não imagine que outros, com deficiência, consigam os mesmos resultados. São pessoas que superaram não só os números, mas a falta de estrutura e buscaram na adaptação, o melhor recurso para não estarem em desvantagem. Essa é a questão: deficiente visual, físico, mental, paralisados cerebrais, amputados, cadeirantes não são coitados. São pessoas que, através de esforços pessoais, se adaptaram a um mundo que, embora saiba da diferença, não se comove ou presta nenhum serviços para facilitar às suas vidas. Não há desvantagens no potencial, e sim, na estrutura garantida pelo governo e pelos patrocinadores.

Não adianta remar contra, essa foi a impressão que tive. Apontar o erro nem de longe vai resolver o problema. Então, o negócio é arregaçar as mangas e começar o trabalho! Esse será o espírito do Parapan.


quarta-feira, 18 de julho de 2007

O Mar


Homem livre, tu sempre gostará do mar
Charles Baudelaire


Hoje sentei na areia da praia e fiquei observando o mar por quase uma hora.

Imaginei muitas coisas e ao mesmo tempo o pensamento ia solto, solto. Tentei imaginar a minha primeira impressão do mar, qual teria sido o meu espanto ao ver tanta água? Eu não conseguia lembrar. Não conseguia.

E pensei no difícil hábito de ver uma coisa como se fosse a primeira vez. A possibilidade concedida aos olhos que é a grandenza da estréia, do sempre novo, embora estejamos falando de algo conhecido.

Pensei no tanto de água e oceanos que separam continentes e pessoas. Algumas almas se encontram e seguem nessas terras, nessas águas, caminhos distintos. E é uma fatalidade de sorte, eu diria, já que outras nunca irão se encontrar nem em pensamento.

Pensei em mim no desenho disso tudo. E me senti pequena, sem forças.

A imagem agora é a vista da praia na sua totalidade. Duas crianças brincam na água, catam tatuí. Lembrei que fazia isso também. Aquelas perninhas espertas desses bichos, éca! Cosquinhas na palma da mão. Era maravilhoso. E sorri sozinha.

Amar e ser amado: eis o 'por enquanto' da vida.
Eu sempre esqueço que as histórias acabam.

Como é possível saber com o quê preencher a saudade que vem? Nem imagino...


sexta-feira, 6 de julho de 2007

Essa é para você

Ao babaca

Todo mundo precisa de amigos, meu bem.
Alguma vez você parou para pensar que só te aplaudem pela tua grana? Estão fazendo caridade com o teu chapéu ou você não percebeu?

Não, você não percebeu.


Babaca.

Estão te comendo por trás e você nem aí. Nem aí! Isso porque acredita nesse show de neon que te venderam.

Te venderam merda com gelatina, meu amor.

Olha no espelho, cadê você? A roupa que te deram é maior que o defunto. Veste a máscara para falar, meu filho, por quê? Não te entregaram o discurso? Não sopraram no teu ouvido as palavras que você tinha que dizer? Marionete. É isso que você é: m-a-r-i-o-n-e-t-e.

A tua coragem secou ou simplesmente você nunca a teve? Gostaria de saber onde você enfiou a tua memória, a simpatia, o teu caráter...será que é no mesmo lugar onde estão metendo em você? Provável. Cadê você? Você que pensa em fazer mitos, levanta quem quer te derrubar. Você questiona as pessoas que te amam, quando deveria se questionar.

É questão de tempo, baby, você vai ver, o palácio vai ruir. Vão te dar espelhos, meu bem, e será um momento difícil. Difícil. Você vai chorar, se desesperar, se achar o último biscoito no pacote e no fundo, será tudo isso e mais um pouco. Juro que não gostaria de te dizer palavras duras. Quero o teu bem, mas quero o meu também.

E pensar nessas coisas todas, nesses 'caralhos ambulantes' atrás de você me faz um mal. Deve ser duro, não é? Mas sei que você anda anestesiado e nem sente a dor. Isso me conforta.

Vou engavetar você e as tuas moléstias, que hoje, são todos meus desafetos. Vou tentar apagar o que foi ruim e viver com as lembranças boas. Estou criando o meu mundo, assim como você criou o teu. Só que diferente de você, não vou atirar pedras.

Eu não jogo pedras em amigos.

Eu acredito neles, embora não acredite mais em você. É uma piada o que você vive. Você virou piada.

Ah, só mais uma coisa, vê se guarda com carinho: foda-se.


sexta-feira, 29 de junho de 2007

“Vão-se os anéis, ficam-se os dedos”

"Viver, simplesmente viver, meu cão faz isso muito bem".
Alberto Cunha Melo


Estou em nova fase: mais positiva e mais feliz.
Felicidade para mim é ter prazer no que faço. É estar conectada com cada idéia, cada palavra, cada pessoa. É uma religião: eu preciso acreditar para que seja possível manter o movimento. E movimento é o que renova...
...
Algumas vezes adio as minhas certezas por medos, dúvidas.
- Mas eu não preciso ter receios quando os meus olhos refletem as razões.
Hoje respiro fundo e posso sentir à plenos pulmões uma energia forte e fortalecedora de...l-i-b-e-r-d-a-d-e!




sábado, 16 de junho de 2007

Muito o que aprender...

"Gostaria de morrer em nome de alguma coisa, mas não creio que mereça tanto".
Fernando Sabino


Trechos da entrevista que Hélio Pellegrino concedeu à Clarisse Lispector:

- Hélio é bom viver, não é? É, pelo menos, a impressão que você me dá.
- Viver - essa difícil alegria. Viver é um jogo, um risco. Quem joga pode ganhar ou perder. O começo da sabedoria consiste em aceitarmos que perder também faz parte do jogo. Quando isso acontece, ganhamos alguma coisa de extremamente precioso: ganhamos nossa possibilidade de ganhar. Se sei perder, sei ganhar. Se não sei perder, não ganho nada, e terei sempre as mãos vazias. Quem não sabe perder, acumula ferrugem nos olhos e se torna cego de rancor. Quando a gente chega a aceitar, com verdadeira e profunda humildade, as regras do jogo existencial, viver se torna mais do que bom - se torna fascinante. Viver bem é consumir-se, é queimar os carvões do tempo que nos constitui. Somos feitos de tempo, e isso significa: somos passagem, movimento sem trégua, finitude. A quota de eternidade que nos cabe está encravada no tempo. É preciso garimpá-la, com incessante coragem, para que o gosto de seu ouro possa fulgir em nossos lábios. Se assim acontece, somos alegres e bons, e a nossa vida tem sentido.

(...)
A gente, no fundo, tem medo de nascer, pois nascer é saber-se vivo e - como tal - exposto à morte.

- Diga qual é a fórmula da vida. Eu queria imitar.
- Há, no Diário íntimo de Kafta, um pequeno trecho ao qual gostaria de permanecer para sempre fiel: "Há dois pecados humanos capitais, dos quais todos os outros decorrem: a impaciência e a preguiça. Por causa da sua impaciência foi o homem expulso do Paraíso. Por causa da sua preguiça, não retornou a ele. Talvez não exista senão um pecado capital, a impaciência. Tenhamos paciência - uma longa e interminável paciência - e tudo nos será dado por acréscimo".

Dados do entrevistado: Hélio Pellegrino, escritor e psicanalista.

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quinta-feira, 7 de junho de 2007

Sinal


A menina saiu correndo desajeitada.
Estava um pouco bêbada, um pouco confusa, um pouco puta.
No ombro apenas um bolsa verde e uma mochila com algumas peças de roupa.
Sentia a noite tão fria ou seria a noite que dentro dela acontecia?
Não sabia dizer mais nada.
- a vida paralisada.

(...)

Quis correr e correu.
Correu tanto, tanto, tanto.
Até que do ponto de partida ficou só um ponto.
Nada mais que isso.